PF indicia 16 por queda da Voepass em Vinhedo
A Polícia Federal indiciou 16 pessoas ligadas à Voepass pela queda do ATR 72-500 em Vinhedo, que matou 62. Saiba quem são os envolvidos, os crimes e as penas.
PF indicia 16 pessoas por queda de avião da Voepass em Vinhedo
A Polícia Federal (PF) indiciou nesta quinta-feira (6) 16 pessoas por envolvimento na queda da aeronave da Voepass Linhas Aéreas em Vinhedo (SP), em agosto de 2024. A investigação foi concluída e todos os indiciados são ligados à companhia, inclusive o presidente da empresa, José Luiz Felício Filho. A queda do turboélice ATR 72-500 deixou 62 mortos, sem sobreviventes.
Resposta direta: A PF indiciou 16 pessoas ligadas à Voepass pela queda do avião ATR 72-500 em Vinhedo (SP), em agosto de 2024, que deixou 62 mortos. Entre os indiciados está o presidente da empresa, José Luiz Felício Filho. A maioria responde por atentado contra a segurança do transporte aéreo, com pena de 4 a 12 anos de prisão.
Quem são os indiciados pela PF
A lista de indiciados inclui o diretor-presidente da Voepass, José Luiz Felício Filho, e outros 15 profissionais ligados à operação e manutenção da aeronave. De acordo com a PF, 15 pessoas foram indiciadas pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo (Artigo 261 do Código Penal). Uma delas, o comandante do voo da madrugada que pilotou o mesmo avião em que ocorreu a queda, foi indiciada por falsidade ideológica.
Entre os indiciados por atentado estão:
- O comandante do voo imediatamente anterior ao acidente, que teria entregue a aeronave sem reportar falhas
- O mecânico que teria se omitido de realizar manutenção
- O chefe do Centro de Controle de Manutenção (MCC)
- O inspetor técnico responsável pela manutenção perante a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac)
- O diretor de manutenção da companhia
- O gerente do Centro de Controle Operacional (CCO)
- O diretor do CCO
- O diretor de operações
- O chefe dos pilotos
- O diretor de segurança operacional (safety)
O que diz a Justiça Federal
A Justiça Federal decidiu que todos os indiciados não poderão deixar o país. Caso estejam no exterior, terão de voltar ao Brasil. A medida vale enquanto o Ministério Público Federal (MPF) analisa o inquérito e decide quais pessoas serão denunciadas.
As penas para o crime de atentado
O crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo tem pena de 4 a 12 anos de prisão. Por causa do resultado em morte, a pena dobra: de 8 a 24 anos. A informação foi divulgada pela PF.
As condições do voo e a decisão de decolar
Segundo a PF, a aeronave não tinha condições técnicas de realizar o voo na situação a que foi submetida, sob formação de gelo severo e precipitações. Equipamentos essenciais para essas condições, como o sistema de degelo e o limpador do para-brisas, estavam inoperantes. Mesmo assim, a empresa autorizou a decolagem.
Durante o voo, os pilotos receberam, gradativamente, avisos do sistema de segurança de que as condições estavam decaindo. Mesmo com os avisos sonoros e a lâmpada de "master caution", a PF afirma que os pilotos não tomaram nenhuma atitude.
A cultura de omissão na empresa
A investigação aponta que o avião havia apresentado problemas semelhantes em voos anteriores. Os pilotos, orientados pela empresa, não reportavam as falhas no relatório pós-voo para que a aeronave não ficasse impedida de continuar voando.
O delegado chefe da PF em Campinas, André Ribeiro, afirmou que a equipe analisou dezenas de processos de fiscalização da Anac. "Se pôde perceber que havia ali [na Voepass] uma cultura realmente de omissão e que não era uma cultura de quem estava ali na ponta no dia-a-dia do mecânico da pista, não, era uma cultura de uma omissão implementada na empresa", disse.
"A investigação comprova que havia, por parte da chefia dos pilotos, e da direção de operações [da companhia], orientação para não reportar as falhas, porque as falhas poderiam parar a aeronave, impedindo um voo subsequente", completou o delegado.
O que dizem os familiares das vítimas
Familiares das vítimas que estavam na PF em São Paulo avaliaram como criminoso o modo como a Voepass operava. Fátima Albuquerque, da Associação de Familiares das Vítimas, afirmou: "Aquelas ações eram criminosas, eles eram profissionais, eles sabiam o que estavam fazendo. Eram profissionais preparados, sabotando uma fiscalização, fazendo gambiarra numa aeronave que poderia matar, então eles sabiam, todos sabiam que aquela aeronave uma hora ia cair. Correram o risco, não se importavam".
Segundo os advogados da associação, o grupo deverá ingressar com uma ação coletiva por danos morais contra a Voepass.
Próximos passos da investigação
A PF solicitou à Justiça Federal que autorize o compartilhamento de todas as informações da investigação com a Anac. O objetivo é que a agência investigue administrativamente se houve falhas de seus servidores no processo de fiscalização da companhia aérea. A PF também pediu que a investigação seja compartilhada com a Procuradoria da República no Distrito Federal, local da sede da Anac.
O caso segue agora com o Ministério Público Federal, que decidirá sobre as denúncias. A medida de proibição de saída do país permanece até nova decisão da Justiça. como funciona a investigação de acidentes aéreos no Brasil
Perguntas Frequentes
Quantas pessoas foram indiciadas pela PF?
Foram 16 pessoas indiciadas, todas ligadas à Voepass. O presidente da empresa, José Luiz Felício Filho, está entre elas.
Qual é a pena para o crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo?
A pena é de 4 a 12 anos de prisão. Com o resultado em morte, ela dobra para 8 a 24 anos.
O que acontece com os indiciados agora?
Eles não podem deixar o país. O Ministério Público Federal vai analisar o inquérito e decidir quem será denunciado.
Por que o avião não deveria ter decolado?
Segundo a PF, a aeronave não tinha condições técnicas para o voo. O sistema de degelo e o limpador do para-brisas estavam inoperantes, e havia formação de gelo severo.
O que os familiares das vítimas pretendem fazer?
A Associação de Familiares das Vítimas deve ingressar com uma ação coletiva por danos morais contra a Voepass.
